Preclaros Vereadores e Vereadoras Palmenses,
quando aportei nesta terra, ainda no ano de 1991, confesso que me causou espanto a diferença desta nova morada com aquela que tinha no interior do Rio Grande do Sul, especialmente na cidade de Estação, região próxima ao alto Uruguai.
Da cultura alemã e italiana que domina minha região de origem, de quem também tenho ascendência materna e paterna respectivamente, passei a conviver com a mistura de hábitos e de povos, em sua maioria nortista e nordestina, com profunda influência negra, indígena e portuguesa.
Aqui também descobri o cerrado, o calor, a riqueza da flora e da fauna, e mormente descortinou-se em meu horizonte uma cidade que nascia à sombra da Serra do Lajeado e às margens do pujante Rio Tocantins, que fez meu gigante rio Uruguai sentir-se pequeno.
Vi prédios surgirem da poeira, vi embates políticos, sociais e institucionais sendo travados, num processo natural de acomodação do recém criado Estado do Tocantins. Vi uma nova comunidade nascer, com sua própria história, sua própria identidade e suas bandeiras, não obstante ser o povo daqui de profundas raízes e de berços sólidos.
Vi também, em meio ao crescente fértil desta nova terra, as carências e dificuldades enfrentadas pelos que aqui chegavam, em busca do eldorado espargido nacionalmente.
Poderia certamente se esperar de uma profissional recém formada como eu era, a busca egoísta pelo dinheiro e pela afirmação econômica. Todavia o cenário social ao meu redor induziu-me a optar pela Defensoria Pública, vindo, em 1994, a sagrar-me vitoriosa no concurso público de provas e títulos para o cargo de Defensora Pública.
Acredito ter se consolidado nesse momento a minha missão, porque a essa terra que me recebeu de forma tão franca, não poderia dar contrapartida melhor do que aquela que dei e sempre tenho dado na Instituição Democrática e Constitucional que é a Defensoria Pública.
São lá meus caros Vereadores e Vereadoras, que deságuam os problemas crônicos de nossa sociedade, e é lá também que se faz, dia a dia, aos milhares, a efetivação da cidadania plena através da inclusão jurídica em sua amplitude de possibilidades.
Na Defensoria garante-se a busca pelo direito patrimonial, mas também a liberdade, a busca por alimentos, mas também à família, ou mesmo o direito basilar de unicamente existir.
Encontrei, pois, na Defensoria e nas pessoas por ela beneficiadas, um motivo forte para aqui estar e aqui permanecer.
A Defensoria Pública, assim como o Tocantins, eram também lactantes, nascerem em 1988 com a nova ordem constitucional. Muito havia que por eles ser feito.
Embora recém nascida, a Defensoria já trabalhava como gente grande e garantia a plenitude de acesso à justiça aos mais necessitados.
A Defensoria atende anualmente cerca de 100 mil famílias, sendo que destas, 10 mil atendimentos diretos são feitos em Palmas.
Comemoramos neste mês, e mais propriamente no dia 19 de maio, o dia nacional do Defensor Público e o Dia da Defensoria Pública, com diversas atividades voltadas aos cidadãos, buscando expandir o acesso à justiça e o conhecimento do papel institucional, visando cada vez mais o reconhecimento da importância da Instituição.
Mas minha história nesta terra, não foi somente erguida pelo aspecto profissional.
Devo registrar, que no início desta Capital, muitas dificuldades existiram, inerentes a uma cidade em construção, onde registro também a importância das pessoas que me acompanharam e me incentivaram naquele momento, em especial Marco Paiva Oliveira, meu filho Mateus, a fiel amiga Cleonice, o saudoso Décio Fagundes, Neusa e Elias, as colegas e grandes amigas Arassônia e Iracema, além de tantos outros que ficaria difícil nominar.
Aqui também edifiquei um patrimônio de inestimável grandeza, minha filha Bruna, palmense, meu marido Sérgio Augusto, tocantinense, e todos meus amigos que aqui conquistei.
Laços que, associados a minha cultura gaúcha, me fazem, por vezes, preferir um suco de caju ao chimarrão.
De há muito e principalmente agora com a honraria que recebo desta Augusta Casa, convenço-me de que a missão garantista que tenho na Defensoria Pública do Estado tornou-se mais cogente do que nunca, o que faz dobrar minha responsabilidade enquanto profissional do direito e enquanto cidadã Palmense que sou!!
Obrigado Palmas por ter me recebido. Obrigada palmenses, Obrigada Câmara Municipal de Palmas pelo título de cidadã palmense. Obrigada Vereadora Edna Agnolim, brava e atuante mulher, pela iniciativa desta homenagem. Obrigada a Deus e a todas as pessoas que estiveram do meu lado na construção dessa história de trabalho e de vida.
Para finalizar, gostaria de dividir o título de cidadã Palmense com todos os meus colegas Defensores Públicos e demais servidores da Instituição; e gostaria de dedicar este título à minha família que está sempre ao meu lado me apoiando em todos os momentos de minha vida.
Agradeço também ao governador Marcelo Miranda, ao prefeito Raul Filho, ao vice-prefeito Derval de Paiva, ao presidente da Casa, Carlos Braga, à todos integrantes desta Casa legislativa, ao presidente da Associação dos Defensores Públicos, José Abadia, à família, pai, mãe, que não puderam estar aqui presentes, minha irmã Viviane, meu cunhado, minha sogra, filhos e marido, e a todos presentes.
Muito obrigada.
Estellamaris Postal
Defensora Pública Geral