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Defensoria Pública promove diálogo com jornalistas e comunicadores sobre pautas de gênero

Publicado em 28/08/2026 15:51
Autor(a): Marcos Miranda / Comunicação DPE-TO
Parte dos profissionais de comunicação que participaram do encontro realizado na sede da Defensoria Pública - Foto: Marcelo Les / Comunicação DPE-TO

A dinâmica do debate, em formato de diálogo participativo, permitiu que as discussões e reflexões sobre o tema ocorressem de forma efetivamente ativa, com ampla e qualificada participação dos profissionais presentes e debatedoras convidadas. A iniciativa, até então inédita no Tocantins, é da Defensoria Pública e realizada conjuntamente com o Sindicato dos Jornalistas do Tocantins (Sindjor/TO) e Secretaria da Mulher do Município de Palmas. 


A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) promoveu, hoje, 28, juntamente com a Secretaria Municipal da Mulher de Palmas e o Sindicato dos Jornalistas do Tocantins (Sindjor/TO), um encontro com jornalistas e comunicadores para discutir a cobertura de pautas relacionadas a gênero e aos direitos das mulheres. Em alusão ao Agosto Lilás – mês de mobilização pelo fim da violência contra mulheres – o encontro abordou uma comunicação pública e nos veículos de imprensa exercida de forma responsável, qualificada e livre de práticas que possam vir a contribuir para a revitimização de mulheres em situação de violência.

“A cobertura de pautas de gênero e direitos das mulheres”, tema central do encontro, reuniu mais de 30 profissionais em atuação e em formação na área de comunicação. Os trabalhos foram realizados na sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, com explanação da coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem) da DPE-TO,  defensora pública Flávia Hardt Schreiner; e da jornalista e professora na Universidade Federal do Tocantins (UFT), Cinthya Miranda. A mediação foi realizada pela jornalista, radialista e secretária da Mulher do Município de Palmas, Chayla Félix.

A dinâmica desse debate, em formato de diálogo participativo, permitiu avançar nas discussões de forma efetivamente ativa, com ampla e qualificada participação das pessoas presentes. Em diferentes momentos de falas, houve a expressão coletiva da preocupação e disposição dos profissionais em informar melhor e com ainda mais qualidade sobre direitos e com atenção diferenciada nas pautas que envolvem a cobertura de casos de feminicídio e outros tipos de violência contra meninas e mulheres. Também houve o destaque à iniciativa da Instituição, considerada inédita no Tocantins.

A jornalista Ana Carolina Azevedo [foto abaixo], que atualmente atua como repórter em um site de notícias, disse ter visto no evento uma oportunidade para que seja fomentada a conscientização de profissionais frente a pautas de gênero. “Nós somos formadores de opinião, nós somos responsáveis por levar informações que, muitas vezes, não chegam a lugar nenhum, ou se chegam é uma experiência incompleta. (...) Achei importante esse processo de formação. É um caminho necessário para discutir a dignidade da vida das mulheres”, disse.

Já a jornalista Munyque Fernandes, que atua em assessoria de imprensa, destacou a relevância dos conteúdos apresentados também para a atuação em comunicação pública parlamentar, área em que atua. “Como assessora, posso contribui com uma comunicação muito mais assertiva para ações que já destacam e valorizam as mulheres, mas sempre pode ser aperfeiçoada”, afirmou.

Defensoria Pública
“Ler, ver e consumir informação sobre a garantia de direitos previne violências e acho que esse momento de discussão tem essa conotação. (...) Tenho certeza que esse espaço, esse momento, será muito enriquecedor e vai nos ajudar a ter balizas e diretrizes pra melhorarmos nossa atuação nessa temática que nos é tão cara”, disse o defensor público-geral do Estado do Tocantins, Pedro Alexandre Conceição Aires Gonçalves [foto abaixo], acrescentando: “Gosto muito que esse momento tenha a Defensoria Pública e contem sempre com a instituição como espaço de debates e como parceira”, destacou.

Coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), a defensora pública Flávia Hardt Schreiner [foto abaixo] reforçou o papel da imprensa na proteção das mulheres. “Esse momento é tão importante, principalmente diante dos últimos números do escalonamento da violência contra a mulher. A imprensa é parceira do Poder Judiciário, ela é parceira dos órgãos de acesso à Justiça, das nossas instituições e uma imprensa ética faz parte da rede de enfrentamento à violência contra a mulher.”

Também fizeram uso da palavra a 1ª subdefensora pública-geral Estellamaris Postal, e a jornalista e diretora de Comunicação na DPE-TO, Cléo Oliveira. Ambas destacaram a necessidade da continuidade do tema em questão com os comunicadores e agradeceram a presença e interesse dos profissionais.

Essa necessidade de se manter o debate além de datas e períodos emblemáticos foi amplamente destacada durante o encontro, oportunidade em que a Defensoria Pública se colocou à disposição para a realização de outras iniciativas que possam colaborar para a formação e ampliação do tema junto a jornalistas, comunicadores e acadêmicos de Jornalismo.

Mulheres em pauta
Para a presidente Sindjor, Alessandra Barcelar [foto abaixo], a proposta do encontro surgiu diante da necessidade de debater sobre a maneira como as informações relacionadas à violência contra as mulheres são apresentadas ao público. “A ideia era trazer o jornalista para refletir sobre a própria prática e sobre o seu trabalho, se questionando como eu, enquanto jornalista, posso contribuir para o combate à violência contra as mulheres. Toda essa inquietação nos levou a realizar este evento, buscando aprimorar nossa atuação ao compreender como conduzir esse processo sem utilizar termos inadequados.”

Cinthya Miranda [foto abaixo], por sua vez, destacou que o debate contribuiu para a formação de profissionais capazes de compreender as especificidades da violência de gênero, para que sejam assertivos no registro. “A gente precisa de letramento, precisa de formação dentro da universidade, e para além dela. Este evento foi para mim uma formação importantíssima neste sentido”.

Já Chayla Félix [foto abaixo] classificou o encontro como um marco e defendeu que a luta em defesa dos direitos da mulher deve ser feita em uma união de esforços: “O enfrentamento da violência contra a mulher não pode ser feito isoladamente. Não é uma tarefa de apenas uma instituição, mas, sim um esforço coletivo que precisa ser construído a muitas mãos, com cada setor cumprindo o seu papel de informar, acolher e orientar a mulher em situação de violência. A Defensoria Pública é fundamental nesse processo por sua capacidade de alcançar locais onde o Estado muitas vezes não chega. Por isso, essa parceria é importante”, afirmou.

Da Defensoria Pública, também estiveram presentes: o assessor especial de Relações Institucionais, defensor público Marcello Tomaz de Souza, e a presidente da Associação de Defensoras e Defensores Públicos do Estado Tocantins (Adpeto), Karla Letícia de Araujo Nogueira.


Perfil das debatedoras

• Flávia Hardt Schreiner
Defensora pública, coordenadora do Núcleo Especializado em Defesa das Mulheres (Nudem), doutora em Direito e mestre em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo.

• Cynthia Mara Miranda
Representante do Sindjor/TO na Comissão de Mulheres da Fenaj, jornalista, professora da UFT, integrante do Grupo Assessor da Sociedade Civil na ONU Mulheres Brasil e Doutora em Ciências Sociais.



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Edição de texto: Cléo Oliveira e Gisele França / Comunicação DPE-TO


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