“A partir de hoje, cada vez que uma mulher for silenciada em sua comunidade haverá uma defensora popular para dizer: ‘Ei! A lei existe e eu posso te mostrar o caminho’. Vocês são os olhos que vêem a violência invisível, os ouvidos que escutam o choro abafado e agora, são a voz que orienta. (…) Não tenham medo de ocupar espaços, de cobrar autoridades, de defender o que é justo. Educação em direitos são armas que não ferem, libertam”. A declaração é da coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), defensora pública Pollyana Lopes Assunção, para cerca de 60 mulheres de Palmas que receberam hoje, 5, o certificado de conclusão do curso “Defensoras Populares”.
Em sua 2ª edição e promovido pela Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO), por meio do Nudem, o curso forneceu às mulheres as ferramentas e o conhecimento necessários não apenas para transformar suas próprias vidas, mas tornando-as multiplicadoras de direitos no enfrentamento à violência de gênero.
Para a assistente social Vilmara Neves de Souza, 52 anos, o curso superou expectativas: “Eu já trabalho com mulheres em situação de violência e buscava mais conhecimento. Tivemos palestras muito importantes que podemos aplicar no dia a dia. Para mim, foi extremamente valioso”, afirmou.
A guarda metropolitana Beattriz Resene, 24 anos, relatou que a formação ultrapassou o campo profissional. “Percebi que ser defensora popular vai além da farda. Posso atuar na minha vizinhança, orientar outras mulheres. Hoje me vejo com mais capacidade de influenciar e proteger, mesmo fora do serviço”.
Aos 78 anos, a professora aposentada Miracy Pereira de Sousa Oliveira, destacou a sororidade como parte da vivência no curso. “É mais um conhecimento que nos fortalece. Defendemos mulheres há muito tempo no nosso coletivo, e esse curso só veio contribuir. O que uma sofre, é sofrimento de todas. Agora, levarei ainda mais força para minha comunidade”, garantiu.
Isabela Oliveira, 21 anos, está entre as formandas. Assistente na DPE-TO, ela conta que a formação ampliou sua capacidade de acolhimento e atuação. “Aprendemos muito sobre o funcionamento da rede de proteção. A palestra sobre interseccionalidades, por exemplo, me marcou, porque nos mostrou que existem violências que a gente nem imagina, como o acesso dificultado aos serviços públicos. Agora consigo entender e direcionar melhor quem precisa de ajuda”.
Secretária da Mulher e Desenvolvimento Humano de Porto Nacional, Thayse Ribeiro, que também foi cursista no ‘Defensoras Populares’, a sensação de gratidão era a mais predominante entre as formandas. Em seu discurso ela citou que o curso vai subsidiar as mulheres que participaram na luta contra a violência, além de dar voz àquelas que estão silenciadas.
Transformação social
Presente na solenidade de formatura, o 1º subdefensor público-geral do Estado do Tocantins, Marcello Tomaz de Souza, destacou o papel transformador da formação. “A Defensoria faz esse chamamento para que as senhoras estejam unidas neste propósito de proteção, de uma para com as outras, de mudança de mentalidade, de cultura. Que passem a ser protagonistas, que não aceitem qualquer tipo de submissão. Sejam donas dos seus destinos, do seu corpo, da sua mente. Façam dessa Casa o porto seguro para essa luta diária e incansável”, disse.
Diretora-geral em substituição da Escola Superior da Defensoria Pública (Esdep), a defensora pública Elydia Leda Barros Monteiro ressaltou que o curso nasceu de um sonho coletivo. “Queríamos trazer a comunidade para a Defensoria Pública, construir o direito não somente a partir de um lugar de saber, mas de um lugar em construção, que se soma às experiências. Este curso traz formação, informação séria e de qualidade, mas traz também afeto e laços. Não avançamos sem amor, e o amor nasce das vivências”, disse.
A cerimônia também contou com a presença das defensoras públicas Vanda Sueli Machado de Souza e Flávia Hardt Schreiner; e do secretário extraordinário de Igualdade Racial e Direitos Humanos de Palmas, José Eduardo de Azevedo.
Defensoras populares
Participaram da 2ª edição do curso Defensoras Populares: Adélia Martins de Moura Pinto Ramos, Aline Alves Rodrigues, Ana Corilina de Resende Oliveira, Ana Luísa Araujo de Almeida Souza, Beattriz Resene de Araújo, Bruna Paula da Silva Oliveira, Cícera Márcia do Nascimento Bandeira, Conceição de Maria Nunes Garcia, Daniela Alves Silva, Deusdelina Assunção Caminha, Deuzelina Rodrigues de Souza Costa Silva, Dinormanda Monteiro da Silva Alves Azevedo, Domingas da Conceição Ferreira de Oliveira, Domingas Thayse Pereira Ribeiro, Elisangela Maria Lopes, Eni Tereza da Cunha Felipe, Flávia Lentula Coelho Araújo, Gianna Nathalya Alvarenga, Gladis Helena Homrich, Idalice Araújo Fernandes, Isabela Alves Oliveira, Isabela Oliveira Machado, Isabella Moraes da Silva Ferreira, Jackelaynne Coelho Eufrázio, Jordana Sousa Oliveira, Kátia Jácome Santana, Kelly Cristina Gomes Campelo, Larissa Pultrini Pereira de Oliveira Braga, Laureana Barbosa Carvalho, Lízia Maira Nunes Ramos, Liziane Ines Cantini, Loanne Goulart Magalhães, Maria Aparecida Magalhães, Maria Aparecida Pires Rodrigues, Maria José da Silva Leite, Maria Nilma Barbosa dos Santos, Mariana Oliveira Ramalho Cariman, Marta Juliane Souza Lacerda Paranhos, Maurina Jácome Santana, Michelle Araújo Luz Cilli, Miracy Pereira de Sousa Oliveira, Monik Carreiro Lima e Dorta, Myllena Gonçalves Dourado, Nádia Cristina da Silva Alves Araújo, Nicolle Vilhena Vieira, Raimar Bezerra Campêlo, Rejane Araujo Fernandes, Rita de Kassia Rezende Andrade, Rízia Rodrigues da Silva, Silvane Ribeiro Costa, Soraya Campos de Almeida, Stefanny Viana Martins, Taysa Garcia Borges, Terezinha de Jesus Rodrigues Aquino dos Santos, Téssia Gomes Carneiro, Uranilde Batista Lima, Vilmara Neves de Sousa, Wilka Borges Lima Cristal e Zenúvia Monteiro de Castro Delmondes.