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Defensoria Pública do Estado do Tocantins
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Nusa requer Plano que justifique hospitais de campanha e não o uso de estruturas já disponíveis

Autor(a): Cinthia Abreu / Comunicação DPE-TO

Interior de uma ala do hospital provisório, chamado de hospital de campanha, implantado no HGP em 2013
Interior de uma ala do hospital provisório, chamado de hospital de campanha, implantado no HGP em 2013 — Elson Caldas / governo do Tocantins - Divulgação - Arquivo 2013




A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO), por intermédio do Núcleo Especializado de Defesa da Saúde (Nusa), requer que o governo do Estado apresente, com urgência, o atual plano de contingência da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) com as informações sobre o planejamento para atendimentos e leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) diante do novo coronavírus. Com a Manifestação em Ação Civil Pública (ACP), a Defensoria tem dois objetivos principais: verificar a real necessidade de se instalar hospitais de campanha no Estado, ao invés de se utilizar ou ampliar estruturas já existentes; e acompanhar o planejamento completo de enfrentamento à Covid-19 no território tocantinense, postulando mais transparência e informação acerca da estrutura real que se tem atualmente.

A Manifestação foi realizada nesta quinta-feira, 23, na ACP já antes ajuizada pelo próprio Núcleo acerca dos leitos de UTI no Tocantins. Por meio dela, o Nusa destaca que já solicitou, no último dia 2, as informações sobre o plano relacionado às UTIs, contudo, o Estado - no processo - pediu 90 dias para apresenta-lo. Além disso, o anúncio público de implantação dos hospitais de campanha para Palmas, Araguaína e Gurupi não foi feita com estimativa orçamentária, o que também é requerido pela Defensoria por meio da Justiça.

Para a DPE-TO, é importante considerar que as principais unidades hospitalares nas cidades em que o governo pretende implantar os hospitais de campanha contam com estrutura de saúde tanto na iniciativa pública quanto na iniciativa privada/filantrópica, nas quais, certamente, o Estado investiria menos recurso público e com mais eficiência, já que existem estruturas prontas e vazias que podem receber equipamentos e cuidar dos pacientes com mais dignidade e eficiência do que em leitos construídos com tendas que, depois que passar a necessidade, serão desfeitos, não ficando nada a disposição da população.

“Já que vamos gastar milhões, por que não ampliar e reformar rapidamente estruturas já existentes de modo a deixar investimentos no SUS [Sistema Único de Saúde]? Por que temos que construir tendas em espaços públicos sem o mínimo de estrutura sanitária? Vamos voltar a coletivizar banheiros entre homens e mulheres como era, antigamente, na tenda do Hospital Geral de Palmas?”, questiona o defensor público e coordenador do Nusa, Arthur Luiz Pádua Marques.

Na Manifestação desta quinta-feira, 23, o Defensor Público considera que o aumento na oferta de leitos é indispensável devido à imprevisão de contaminados, mas que os investimentos com hospitais de campanha devem ser considerados com a estrutura dos hospitais à disposição, que têm capacidade de ampliação ou mesmo que já estão prontos, ou praticamente prontos, podendo apenas receber equipamentos e pessoal, sem a necessidade de gastos exorbitantes com estruturas temporárias caríssimas e sem a proteção sanitária adequada.

Informações
Por meio da Manifestação, o Nusa requer que a Justiça determine a apresentação de  dados referentes ao período após o início de pandemia no Tocantins, como quantidade leitos de UTI e CTI, a existência de equipes qualificadas, número de leitos vazios na rede privada e filantrópica, a existência de hospitais municipais que podem ser utilizados com os critérios do hospital de campanha sem necessidade de se construir nova estrutura; se a projeção de contaminação justifica a construção de hospitais com tendas ou apenas a ampliação de leitos; valores referentes ao recurso para os novos leitos, criação de nova estrutura e contratação de pessoal; utilização/ampliação de estruturas já existentes, se o percentual de população contaminada justifica um hospital de campanha, a quantidade de ventiladores mecânicos existentes no Sistema Único de Saúde (SUS), estimativa de novas aquisições e valor da contratação; e quantidade de leitos à disposição para atender doentes com outros problemas de saúde, dentre outras informações.

“É possível ampliar alas do HGP, HDT em Araguaína, e há hospitais filantrópicos, como Padre Luso, além da rede privada que também pode ser utilizada a preços módicos”, ressaltou o Defensor Público.


Nusa requer Plano que justifique hospitais de campanha e não o uso de estruturas já disponíveis | DPE-TO