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Defensoria Pública do Estado do Tocantins
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Nuamac Palmas: Defensoria apoia Casas do Estudante em reunião com o Estado

Autor(a): Marcus Mesquita / Ascom DPE-TO

Coordenadora do Nuamac, Letícia Amorim conversa com os universitários sobre as ações da Defensoria em prol das Casas do Estudante
Coordenadora do Nuamac, Letícia Amorim conversa com os universitários sobre as ações da Defensoria em prol das Casas do Estudante — Loise Maria / Ascom DPE-TO

Com um Procedimento Preparatório (Propac nº 224/2014) instaurado em 2014 para garantir melhorias nas condições oferecidas aos universitários que vivem nas Casas dos Estudantes tocantinenses, a Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO), por meio do Núcleo Aplicado de Defesa das Minorias e Ações Coletivas (Nuamac) Palmas, participou de uma reunião com o governo do Estado, na qual medidas urgentes foram cobradas da gestão estadual. Este encontro foi realizado na sede da Secretaria de Estado da Educação, Juventude e Esportes (Seduc) na última sexta-feira, 20.

A reunião foi solicitada pelo Movimento de Casas de Estudantes (MCE), que realizou, entre os dias 16 e 21 de julho, o 42º Encontro Nacional de Casas de Estudantes (Ence), no campus Palmas da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

Na ocasião, a coordenadora do Nuamac, Letícia Amorim, fez uma apresentação de todas as medidas já tomadas pela DPE-TO em prol da Casa de Estudantes, as expondo aos presentes. “Nós, enquanto Instituição, em maio de 2014, fomos acionados por universitários que nos relataram toda a situação caótica das Casas de Estudantes do estado. Para começar a tratativa sobre o problema, fizemos uma série de ofícios e recomendações para o Estado, para a Vigilância Sanitária, para os Bombeiros e para outros órgãos para ver se a gente conseguia resolver a demanda sem judicializar. Mas, infelizmente, mesmo três anos após recomendar e oficiar, esgotando os trâmites administrativos possíveis, nada foi resolvido. Então, em fevereiro do ano passado, nós ingressamos no Judiciário com uma ação civil pública para que fosse feita a reforma e a manutenção nas Casas de Estudantes para que quem morasse nelas pudesse viver com mais dignidade. Porém, o Judiciário, infelizmente, entendeu, dentro do próprio gabinete, que a Defensoria Pública não tinha razão, indeferindo o nosso pedido. Assim, recorremos ao Tribunal de Justiça e lá ganhamos, solicitando que deveria ser cumprido o que foi pedido, estabelecendo, inclusive, multa diária para o Estado em caso de descumprimento da ação”, relatou a Defensora Pública.

Os próximos passos, ainda segundo a defensora Letícia, serão a execução da multa imposta ao Estado, o que já está em trâmite desde outubro de 2017, aguardando o envio, por parte do Judiciário, para fim de parecer, ao Ministério Público; a marcação de uma audiência de conciliação dentro da ação principal; além de oficiar o pedido de revogação do decreto estadual nº 2.938, de 2 de fevereiro de 2007, que abrange a criação das Casas de Estudantes e, no texto original, agrega responsabilidade de manutenção destas casas àqueles que nelas residem.

“A Defensoria está fazendo a parte dela. Nós temos judicializado tanto o processo de ação civil pública quanto da execução dela; e nós vamos manifestar, no processo de ação civil pública, pedindo para que seja marcada uma audiência de conciliação, onde o juiz vai tentar mediar as partes [representantes dos estudantes e do Estado] para que a gente possa sentar e fazer um documento, perante o judiciário, para tentar resolver todo este problema. Apesar do decreto estar aí, vigente, as partes podem tentar uma conciliação. E quem sabe vem como resposta um posicionamento do governador, uma promessa de que vai revogar o próprio decreto, estabelecendo algo coerente com a realidade destes estudantes. O mais urgente, porém, é a execução da multa diária imposta ao Estado desde a decisão do Tribunal de Justiça; isto para ao menos fazermos o bloqueio, nas contas do Estado, deste valor para que se realize a reforma imediata nas casas dos estudantes, prevenindo que uma iminente tragédia ocorra”, enfatizou a coordenadora do Nuamac Palmas.

Os estudantes

As principais reclamações dos universitários fazem referência ao estado de sucateamento das quatro Casas do Estudante tocantinenses e à responsabilização dos moradores pelo custeio das contas das moradias e da manutenção dos espaços. Conforme afirmou o acadêmico de história da UFT Danilo Garcia, representante tocantinense do MCE que reside na Casa de Araguaína, o descaso do Estado com a situação tem os incomodado.

“Não tem governo que assuma a responsabilidade dessas casas e tudo fica a cargo dos estudantes, que não são profissionais ainda e não podem assumir as funções administrativas de pagamentos de contas, de seleção de quem pode morar nelas e até de zelar pelo bem-estar físico e mental dos estudantes. A impressão maior é a de que nem existe interesse do Estado em se resolver este problema. Eu estou no fim do meu curso e poderia sair da casa, se quisesse; mas não seria correto da minha parte abandonar esta causa agora, depois de tanta luta, e deixar tantos estudantes vivendo em lugares desumanos”, disse Danilo Garcia.

Representante da Secretaria Nacional de Casas de Estudantes (Sence) e aluna de enfermagem da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Alexia Moura destacou a busca pela preservação dos direitos humanos nesta ação contra o Estado. “Este movimento une diversas pessoas em condições sociovulneráveis muito difíceis. E quando a gente se une em momentos como este, trazendo a solidariedade do País inteiro para os estudantes do Tocantins, a gente tenta lutar pelos direitos humanos, pela preservação da integridade humana e física dos acadêmicos que precisam viver nas Casas de Estudantes, garantindo o básico a todos, como moradia, saúde, água e alimentação. Assim, podemos começar as nossas vidas tendo mais dignidade, como outros que não precisam destas assistências durante a vida universitária”, disse a jovem.

Manifestação

Enquanto a reunião ocorria, na sede da Seduc, cerca de 100 alunos universitários de várias regiões do Brasil que participavam do 42º Ence foram à Secretaria para manifestar contra o Estado. Além de palavras de ordem contra o sucateamento das Casas do Estudante tocantinenses, uma Carta foi lida aos representantes das instituições presentes na reunião apontando demandas e exigindo o cumprimento das mesmas.

Participaram do momento de diálogo representantes da DPE-TO, da UFT, da Superintendência da Juventude da Seduc, da Fundação da Juventude de Palmas e da Sence. Os estudantes disseram que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público Estadual (MPE) foram convidados, mas não enviaram representantes.

A defensora pública Letícia Amorim explicou aos estudantes quais exigências já foram encaminhadas ao Governo do Estado — Loise Maria / Ascom DPE-TO
Universitários de diversas regiões do Brasil, que participaram do 42º Ence, se manifestaram na sede da Seduc — Loise Maria / Ascom DPE-TO
Paulo Victor (E) e Alexia Moura, ambos da Sence, colaboraram com formatação das reivindicações dos estudantes — Loise Maria / Ascom DPE-TO
"A impressão maior é a de que nem existe interesse do Estado em se resolver este problema", disse o estudante Danilo (ao centro) — Loise Maria / Ascom DPE-TO
A reunião contou com representantes da DPE-TO, Seduc, FIJP, UFT, Sence e do MCE — Loise Maria / Ascom DPE-TO
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