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Defensoria Pública do Estado do Tocantins
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Impedida de ser fechada após atuação da DPE, Cadeia de Araguaçu recebe consultório

Autor(a): Marcus Mesquita / Comunicação DPE-TO

Unidade está em funcionamento via decisão da Justiça em Ação Civil Pública proposta pela DPE-TO
Unidade está em funcionamento via decisão da Justiça em Ação Civil Pública proposta pela DPE-TO — DPE-TO Araguaçu / Divulgação



A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) participou, nesta quarta-feira, 9, da entrega do consultório médico-odontológico da Cadeia Pública de Araguaçu, município localizado a 405 Km de Palmas, na região Sul do Estado. A unidade esteve em vias de ser fechada no ano passado sob o argumento de “reestruturação do sistema penitenciário e prisional”, o que não ocorreu em cumprimento à decisão da Justiça em Ação Civil Pública (ACP) proposta pela DPE-TO. Atualmente, recurso do Estado frente à liminar que confirmou a decisão em 1ª instância, tramita na Justiça.

Na ocasião da entrega do espaço de saúde na Cadeia de Araguaçu, a Defensoria Pública foi representada pela analista jurídica Stella Beatriz da Silva Camargo, que atua na DPE-TO do Município. Em sua fala, durante a solenidade, a Servidora destacou as boas condições de uso da Cadeia Pública, que agora ganham reforço com o consultório médico-odontológico.

A defensora pública Daniela Marques do Amaral Almeida, que acompanha o andamento da ACP na Justiça e atua no atendimento às pessoas privadas de liberdade na referida Cadeia, também destaca a estrutura da unidade, que para ela tem excelente condição tanto física, quanto de segurança, considerando a população carcerária atual. “Ela é toda monitorada por um sistema de câmeras, possui refeitório, parlatório, e agora passa a contar com este consultório médico-odontológico; os dormitórios são com triliches para os presos. E todos esses presos fazem atividades artesanais de remição”, disse.

Atualmente, a Cadeia Pública de Araguaçu comporta 29 detentos. Conforme o diretor da unidade, Dionísio da Mata Barroso Pinto, o consultório estava previsto na reforma de 2019, realizada a partir de recurso levantado judicialmente, via Conselho da Comunidade.

Ao todo, segundo pontua Dionísio da Mata, cerca de R$ 2,3 mil foram investidos na estrutura física do local, que conta, ainda, fora desse recurso, com uma cadeira odontológica adquirida por meio de convênio com a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju); e com armários, maca, compressor para funcionamento da cadeira odontológica, medicações e outros itens, bem como os profissionais para atendimento, todos fruto de parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Araguaçu.

“A Cadeia conta com nova estrutura e em perfeitas condições de funcionamento, mas, infelizmente, este parece não ser o entendimento do Estado, que interpôs recurso contra a decisão liminar, proferida em primeiro grau, que proíbe o fechamento da mesma”, enfatiza a Defensora Pública.

Ação na Justiça

Em setembro do ano passado, a Justiça proibiu o fechamento da Cadeia Pública por meio de decisão da Vara Cível da comarca de Araguaçu em julgamento à ACP proposta pela defensora pública Daniela Marques do Amaral Almeida, conjuntamente com o Núcleo Especializado de Defesa e Assistência ao Preso (Nadep), à época, coordenado pela defensora pública Napociani Póvoa.

O Estado cumpriu a decisão, mas apresentou recurso a fim de fechar a Unidade. Ao julgar esse agravo de instrumento, o desembargador relator manteve, por meio de liminar concedida em novembro do ano passado, a decisão do juiz de Araguaçu (proferida em setembro/2020) que proíbe o fechamento da Cadeia. O processo continua a tramitar na Justiça sendo que o julgamento de mérito ainda não tem data definida para ocorrer.

Atuação

Na atuação pela manutenção da Cadeia de Araguaçu, a Defensoria Pública informa que a maioria dos presos da Unidade é residente no Município, onde também moram seus familiares. Assim, o fechamento da Cadeia representaria violação à Lei de Execução Penal e ao Princípio da Dignidade Humana, que garante à pessoa privada de liberdade o direito de cumprir pena próximo à família, com efetivação plena do direito à convivência familiar e manutenção dos vínculos afetivos.

Além disso, é importante destacar que o fechamento da Unidade comprometerá a segurança pública no Município e região, pois, atualmente, tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar de Araguaçu dispõem de apenas uma viatura caracterizada. “O deslocamento dos presos de Araguaçu para outras localidades pela Polícia inviabilizará o trabalho desta, prejudicando toda a coletividade”,  alerta a defensora pública Daniela Marques do Amaral Almeida.

A Defensoria Pública esclarece, ainda, que provimento do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins de 2018 alterou a competência para a gestão de vagas nos presídios tocantinenses, estabelecendo que nenhuma pessoa presa será transferida ou removida no Tocantins sem anuência do juízo criminal de origem.

Consultório odontológico da Cadeia pronto para atendimento — DPE-TO Araguaçu / Divulgação
Consultório conta com cadeira odontológica adquirida por meio de convênio com a Seciju — DPE-TO Araguaçu / Divulgação
Consultório também conta com espaço para atendimento médico — DPE Araguaçu/Divulgação
Com 29 detentos, Cadeia de Araguaçu é monitorada 24 horas por dia — DPE-TO Araguaçu / Divulgação
Analista jurídica da DPE-TO em Araguaçu, Stella Camargo (E), durante a solenidade de entrega do consultório odontológico — DPE-TO Araguaçu / Divulgação
Impedida de ser fechada após atuação da DPE, Cadeia de Araguaçu recebe consultório | DPE-TO