A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) participou, em Palmas, do Tapiri - Missão Tocantins, que é uma coalização ecumênica e inter-religiosa que atua no enfrentamento aos fundamentalismos religiosos e políticos que intensificam as violações de direitos no contexto da Amazônia Legal. Estiveram presentes nos debates as coordenadoras dos Núcleos Especializados de Defesa dos Direitos Humanos (NDDH), defensora pública Franciana Di Fátima Cardoso Costa, e a do Núcleo da Defensoria Pública Agrária e Ambiental (DPagra), defensora pública Kenia Martins Pimenta.
O evento, promovido pela Coordenadoria Ecumênica de Serviços (Cese), iniciou na quarta-feira, 26, e segue até esta sexta-feira, 28.
Presente no primeiro dia de programação, a defensora pública Francina Di Fátima falou sobre o quanto os povos indígenas e as pessoas negras sofrem com as intolerâncias religiosas, pois tiveram que por muito tempo manter suas rezas e danças às escondidas.
“Um pilar do fundamentalismo religioso está na disputa de uma moralidade pública, na qual as temáticas que deveriam ser tratadas na esfera do privado, vão para o campo público e político. E aí, nós mulheres nos tornamos objetos destes fundamentalismos. Porque nós mulheres não temos o direito de discutir sobre nossos corpos, sobre nossa maternagem, sobre nossa sexualidade; porque os impactos dos fundamentalismos religiosos dizem que a gente não pode decidir", afirmou Franciana Di Fátima.
Participando da atividade nessa quinta-feira, Kenia Martins falou sobre o impacto do fundamentalismo, preconceitos e ações desprovidas de empatia em relação aos direitos humanos e à justiça social. “Ainda percebemos a invisibilidade das lutas sociais no Sistema de Justiça, especialmente em questões como a reforma agrária e os direitos de povos e comunidades tradicionais”, destacou a Defensora Pública que reforçou a necessidade de de maior atenção às questões sociais.
A diretora da Cese, Sônia Mota, falou do objetivo destes encontros. “Dessa escuta, esperamos conseguir elaborar uma carta coletiva que reflita o que ouvimos aqui e, quem sabe, encaminhá-la para as instâncias apropriadas, como o Ministério Público do Tocantins. Além disso, como temos alianças com parceiros internacionais, pretendemos levar essa carta também para a Europa, para que nossos parceiros externos possam compreender o que está acontecendo no Brasil. O avanço do fundamentalismo tem se mostrado uma ameaça crescente à nossa democracia e aos direitos das comunidades tradicionais e povos originários, e é fundamental que isso seja reconhecido e combatido”.
Além da Defensoria Pública, estão participando do encontro representantes de religiões de matrizes africanas, povos indígena e tradicionais, universidades, igrejas evangélicas e católica.