Hoje, véspera do Dia Internacional da Mulher Negra, Latina e Caribenha (data celebrada a cada 25 de julho), a Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) concede justo espaço e reconhecimento à dona Álvara, mulher preta que fez e faz história na liderança de sua comunidade. Uma homenagem para representar outras mulheres quilombolas que são inspiração de força, resistência e amor pela vida e pelas suas ancestralidades.
Álvara Fernandes Rodrigues, 86 anos, é a matriarca da comunidade quilombola Barra do Aroeira, localizada no município de Santa Tereza do Tocantins - interior do Estado. Uma mulher com trajetória de lutas por direitos coletivos e resistência, mas também com uma vida plena de autoreconhecimento e identidade: “Com muito orgulho, sou Aroeira, quilombola, parteira, benzedeira e raizera”, é como se apresenta.
Apesar do sorriso fácil e largo no rosto, dona Álvara tem uma vida incansável na busca pela garantia de direitos básicos para sua comunidade, que apesar de estar localizada perto da Capital [Palmas], ainda carece de serviços básicos. Nesse sentido, o grupo precisa de constante assistência jurídica integral e gratuita, o que é oferecido e garantido pela Defensoria Pública tanto por meio de atendimentos individuais, quanto por atendimentos coletivos.
Protagonista de si e da luta pelos seus, dona Álvara é referência na comunidade; sendo, também, a voz que querem ouvir aqueles que buscam um conselho sábio. Talvez, não por acaso, ela seja ainda mais verdadeiramente “Álvara”, nome cujo significado poeticamente diz: “a guardiã de todos”.
Mãe biológica de dez filhos, dona Álvara também viu e viveu, como parteira, o nascimento de centenas de crianças, reconhecendo essas vidas quilombolas como seus “filhos de mãos”. Neta do fundador da Comunidade, o senhor Félix Rodrigues, ela sabe que a partida desse mundo, quando for a hora, será o fechamento de um ciclo vivido onde sempre quis estar: “Aqui eu nasci, cresci, criei minha família e quero viver pra sempre”.
Mãos e pés calejados não escondem a vida de trabalho de arado na roça, de sol a sol, para o cultivo que garante a subsistência. No rosto, as rugas e o olhar cansado, mas também o grande sorriso: dona Álvara é, de fato, “Aroeira, quilombola, parteira, benzedeira, raizera” e brasileira!