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Discurso da Defensora Pública Geral sobre o título de Cidadã Palmense

Detalhe da sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, em abril de 2026
Detalhe da sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, em abril de 2026 — DPE-TO
Preclaros Vereadores e Vereadoras Palmenses,

quando aportei nesta terra, ainda no ano de 1991, confesso que me causou espanto a diferença desta nova morada com aquela que tinha no interior do Rio Grande do Sul, especialmente na cidade de Estação, região próxima ao alto Uruguai.

Da cultura alemã e italiana que domina minha região de origem, de quem também tenho ascendência materna e paterna respectivamente, passei a conviver com a mistura de hábitos e de povos, em sua maioria nortista e nordestina, com profunda influência negra, indígena e portuguesa.

Aqui também descobri o cerrado, o calor, a riqueza da flora e da fauna, e mormente descortinou-se em meu horizonte uma cidade que nascia à sombra da Serra do Lajeado e às margens do pujante Rio Tocantins, que fez meu gigante rio Uruguai sentir-se pequeno.

Vi prédios surgirem da poeira, vi embates políticos, sociais e institucionais sendo travados, num processo natural de acomodação do recém criado Estado do Tocantins. Vi uma nova comunidade nascer, com sua própria história, sua própria identidade e suas bandeiras, não obstante ser o povo daqui de profundas raízes e de berços sólidos.

Vi também, em meio ao crescente fértil desta nova terra, as carências e dificuldades enfrentadas pelos que aqui chegavam, em busca do eldorado espargido nacionalmente.

Poderia certamente se esperar de uma profissional recém formada como eu era, a busca egoísta pelo dinheiro e pela afirmação econômica. Todavia o cenário social ao meu redor induziu-me a optar pela Defensoria Pública, vindo, em 1994, a sagrar-me vitoriosa no concurso público de provas e títulos para o cargo de Defensora Pública.

Acredito ter se consolidado nesse momento a minha missão, porque a essa terra que me recebeu de forma tão franca, não poderia dar contrapartida melhor do que aquela que dei e sempre tenho dado na Instituição Democrática e Constitucional que é a Defensoria Pública.

São lá meus caros Vereadores e Vereadoras, que deságuam os problemas crônicos de nossa sociedade, e é lá também que se faz, dia a dia, aos milhares, a efetivação da cidadania plena através da inclusão jurídica em sua amplitude de possibilidades.

Na Defensoria garante-se a busca pelo direito patrimonial, mas também a liberdade, a busca por alimentos, mas também à família, ou mesmo o direito basilar de unicamente existir.

Encontrei, pois, na Defensoria e nas pessoas por ela beneficiadas, um motivo forte para aqui estar e aqui permanecer.

A Defensoria Pública, assim como o Tocantins, eram também lactantes, nascerem em 1988 com a nova ordem constitucional. Muito havia que por eles ser feito.

Embora recém nascida, a Defensoria já trabalhava como gente grande e garantia a plenitude de acesso à justiça aos mais necessitados. 

A  Defensoria atende anualmente cerca de 100 mil famílias, sendo que destas, 10 mil atendimentos diretos são feitos em Palmas.

Comemoramos neste mês, e mais propriamente no dia 19 de maio, o dia nacional do Defensor Público e o Dia da Defensoria Pública, com diversas atividades voltadas aos cidadãos, buscando expandir o acesso à justiça e o conhecimento do papel institucional, visando cada vez mais o reconhecimento da importância da Instituição.

Mas minha história nesta terra, não foi somente erguida pelo aspecto profissional.

Devo registrar, que no início desta Capital, muitas dificuldades existiram, inerentes a uma cidade em construção, onde registro também a importância das pessoas que me acompanharam e me incentivaram naquele momento, em especial Marco Paiva Oliveira, meu filho Mateus, a fiel amiga Cleonice, o saudoso Décio Fagundes, Neusa e Elias, as colegas e grandes amigas Arassônia e Iracema, além de tantos outros que ficaria difícil nominar.

Aqui também edifiquei um patrimônio de inestimável grandeza, minha filha Bruna, palmense, meu marido Sérgio Augusto, tocantinense, e todos meus amigos que aqui conquistei.

Laços que, associados a minha cultura gaúcha, me fazem, por vezes, preferir um suco de caju ao chimarrão.

De há muito e principalmente agora com a honraria que recebo desta Augusta Casa, convenço-me de que a missão garantista que tenho na Defensoria Pública do Estado tornou-se mais cogente do que nunca, o que faz dobrar minha responsabilidade enquanto profissional do direito e enquanto cidadã Palmense que sou!!

Obrigado Palmas por ter me recebido. Obrigada palmenses, Obrigada Câmara Municipal de Palmas pelo título de cidadã palmense. Obrigada Vereadora Edna Agnolim, brava e atuante mulher, pela iniciativa desta homenagem. Obrigada a Deus e a todas as pessoas que estiveram do meu lado na construção dessa história de trabalho e de vida.

Para finalizar, gostaria de dividir o título de cidadã Palmense com todos os meus colegas Defensores Públicos e demais servidores da Instituição; e gostaria de dedicar este título à minha família que está sempre ao meu lado me apoiando em todos os momentos de minha vida.

Agradeço também ao governador Marcelo Miranda, ao prefeito Raul Filho, ao vice-prefeito Derval de Paiva, ao presidente da Casa, Carlos Braga, à todos integrantes desta Casa legislativa, ao presidente da Associação dos Defensores Públicos, José Abadia, à família, pai, mãe, que não puderam estar aqui presentes, minha irmã Viviane, meu cunhado, minha sogra, filhos e marido, e a todos presentes.

Muito obrigada.

Estellamaris Postal

Defensora Pública Geral




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