Pular para o conteúdo principal
Acessibilidade
Defensoria Pública do Estado do Tocantins
Menu

Defensoria do Tocantins move sua primeira Ação Civil Pública no Estado

Detalhe da sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, em abril de 2026
Detalhe da sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, em abril de 2026 — DPE-TO
A Defensoria Pública do Tocantins entrou com uma Ação Civil Pública contra os bancos do Brasil, Bradesco, Itaú, HSBC e Banco da Amazônia de Gurupi, com objetivo de proteger o direito de todos os poupadores dessa cidade, que eram titulares da caderneta de poupança em 1987 e foram prejudicados pelo Plano Bresser. Movida pelo defensor público de Gurupi, Kita Maciel, com a colaboração do analista jurídico, José Rafhael Silvério, a ação é a primeira ajuizada pela Defensoria Pública do Tocantins, depois que a Lei 11.448 de janeiro de 2007 incluiu a Instituição nos rol dos legitimados a proporem Ação Civil Pública para resguardar os interesses coletivos ou individuais homogêneos.

A ação foi protocolizada no último dia 31 de maio, em Gurupi, mesma data em que o Plano Bresser completou 20 anos, tempo máximo aceito pela Justiça para ações de ressarcimento. “Poucas pessoas tiveram acesso às informações sobre o direito de receber o que os bancos retiveram indevidamente. Sequer 20% das pessoas que têm esse direito, ingressaram com uma ação judicialmente para que tivessem acesso ao dinheiro que lhes pertence”, explica o defensor público Kita Maciel, autor da ação.

O Plano Econômico Bresser foi lançado, em 1987, no governo do então presidente da República, José Sarney, para conter a inflação alta na época. Com a implantação do Plano no País, o indexador da poupança foi alterado de OTN (Obrigações do Tesouro Nacional) para LBC (Letra do Banco Central). A mudança estabelecia que entre os dias 1º e 15 de junho daquele ano, a poupança seria remunerada pela OTN e do dia 16 em diante, passaria valer a LBC. A regra não foi respeitada pelos bancos que, durante todo mês, usaram o indexador que rendia menos, a LBC. O prejuízo para cada investidor foi em torno de 8,04%. Essa é a diferença que os investidores têm direito a receber.

De acordo com o defensor Kita Maciel, a ação civil pública busca responsabilizar as instituições financeiras pela aplicação antecipada e errônea do índice indexador da poupança, condenando-as a ressarcirem todos os que foram prejudicados. “A Defensoria Pública do Tocantins não pode ficar inerte diante dessa situação, em que inúmeros poupadores sofreram prejuízos financeiros. Por isso, propomos a ação civil pública, baseada no Código de Proteção e Defesa do Consumidor, para beneficiar as pessoas que residem em Gurupi ou que abriram contas nas agências dessa cidade”, disse o Defensor.

Ainda segundo Kita Maciel, como muitos não requereram seus direitos até o dia 31 de maio deste ano, os bancos terão um enriquecimento ilícito, já que os valores não resgatados passarão a fazer parte do patrimônio das instituições bancárias. “A maioria dos bancos não forneceu as informações solicitadas pelos consumidores, como a microfilmagem do extrato bancário da poupança daquele período em questão, para que os clientes pudessem reaver a diferença de seus rendimentos”, finaliza.



Defensoria do Tocantins move sua primeira Ação Civil Pública no Estado | DPE-TO