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Saúde Indígena

Nova coordenação do Dsei Tocantins informa à DPE-TO medidas para saúde de indígenas Apinajé

Autor(a): Gisele França/Comunicação DPE-TO

Defensora pública Letícia Amorim em um das vistorias realizadas em unidades de saúde indígena em Tocantinópolis
Defensora pública Letícia Amorim em um das vistorias realizadas em unidades de saúde indígena em Tocantinópolis — Marcos Miranda / Arquivo DPE-TO 2025

Conteúdo atualizado dia 06/05/2026 às 19h12


Em resposta aos ofícios encaminhados pelos Núcleos Especializados de Questões Étnicas e Combate ao Racismo (Nucora) e de Defesa da Saúde (Nusa) da Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO), a nova coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Tocantins informou recentemente que iniciou os trâmites administrativos necessários para dar apoio e suporte aos indígenas Apinajé em tratamento de saúde no Hospital Regional de Augustinópolis, na região do Bico do Papagaio.


Em vistorias in loco e escutas qualificadas do Nucora e Nusa, foram constatadas várias dificuldades enfrentadas pelos pacientes indígenas tanto pela questão do fluxo hospitalar para o Hospital Regional quanto pela inexistência de uma Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) em Augustinópolis, considerando que a maioria das aldeias estão localizadas em Tocantinópolis.


Conforme o Dsei, está em tramitação um processo administrativo para a contratação emergencial de serviços de hotelaria e alimentação no município. “Esta medida visa assegurar que, enquanto não houver a implementação de uma Casai oficial na localidade, os pacientes e seus acompanhantes tenham acesso a hospedagem qualificada, com fornecimento de refeições nutricionalmente adequadas e em conformidade com as diretrizes de saúde do Ministério da Saúde”, destacou o Distrito Sanitário.


Paralelo à contratação dos serviços de hotelaria, o Distrito também informou que está otimizando o planejamento do fluxo de transporte, reestruturando a logística de retorno às aldeias para operar em sincronia com os locais de hospedagem que serão formalizados.


“O objetivo é eliminar as situações de espera prolongada em pronto-socorros ou ruas da cidade, garantindo que o transporte de retorno seja acionado imediatamente após a alta hospitalar ou o encerramento dos procedimentos ambulatoriais. A fixação de pontos de apoio contratados permitirá uma gestão de frota mais eficiente, com rotas programadas que minimizem o desgaste físico dos pacientes e garantam a integralidade do ciclo assistencial, desde a saída da aldeia até o retorno seguro ao território”, informa o Dsei.


Para a coordenadora do Nucora, defensora pública Letícia Amorim, o comprometimento do Dsei em melhorar o serviço é um importante passo na garantia dos direitos dos indígenas. “São medidas extremamente importantes porque elas vão impactar de forma direta em todos os problemas que a Defensoria Pública do Estado detectou com os atendimentos e as inspeções. São pessoas que estão buscando o serviço de saúde, saem de suas casas, dentro do território, para andar muitos quilômetros e antes saiam em horários que não eram adequados. E a gente ter que conseguido isso de modo extrajudicial, sem ter que judicializar, é fantástico!”


Defensoria no território


O Nucora foi acionado por lideranças Apinajé e pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em abril de 2025 quando foram relatadas diversas dificuldades enfrentadas na área da saúde, em especial a falta de uma Casa de Apoio à Saúde Indígena em Augustinópolis, os desafios com barreira lingüística e o racismo institucional em unidades hospitalares na região.


Desde então, os Núcleos da Defensoria Pública vêm acompanhando a situação. Foram realizadas visitas às aldeias em Tocantinópolis, atendimentos coletivos e individuais, participação em audiência pública e inspeções em unidades hospitalares.