Pular para o conteúdo principal
Acessibilidade
Preferências visuais
Defensoria Pública do Estado do Tocantins
Menu

Ações voltadas à saúde mental de presos no Tocantins em pauta na Defensoria Pública

O II Seminário Acadêmico sobre o Sistema Carcerário no Estado do Tocantins aconteceu na quarta-feira, 27, na sede da DPE-TO em Palmas

Autor(a): Cinthia Abreu

Cinthia Abreu

As principais demandas relacionadas ao sistema penitenciário e prisional do Tocantins foram debatidas no II Seminário Acadêmico sobre o Sistema Carcerário no Estado do Tocantins, que aconteceu na quarta-feira, 27, no auditório da Defensoria Pública do Estado do Tocantins, em Palmas. O local esteve lotado para receber a comunidade acadêmica, operadores do Direito, profissionais que atuam no sistema carcerário e comunidade em geral para debater os diferentes aspectos do sistema carcerário do Tocantins, para fomentar ações voltadas à saúde mental da pessoa privada de liberdade.

A iniciativa do seminário é do Conselho Penitenciário do Tocantins e contou com o apoio da Defensoria Pública, por meio do Núcleo Especializado de Defesa e Assistência do Preso (Nadep) e Escola Superior da Defensoria Pública (Esdep), e do Governo do Tocantins, através da Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju). A defensora pública Valdete Cordeiro, coordenadora em substituição do Nadep, lembrou que o Seminário é uma oportunidade de identificar, discutir e propor melhorias para o sistema penitenciário e cumpre a missão jurisdicional da Defensoria Pública. “Pois ele cumpre o regime democrático, a promoção dos direitos humanos e a defesa em todos os graus judicional e extrajudicial de forma integral e gratuita aos necessitados”, expressou.

A programação foi aberta com apresentação cultural do Balé Popular do Tocantins e trouxe palestras direcionadas a situação de pessoas submetidas à medida de segurança e a importância dos cuidados com a saúde mental do apenado. O promotor de justiça de Goiás Haroldo Caetano da Silva abriu a exposição dos trabalhos destacando sobre a importância de se ter um olhar diferenciado às pessoas com transtornos mentais privadas de liberdade, além de focar os mitos pregados em torno da loucura. “É preciso reverter situações, pois é importante fazer cessar a periculosidade, porém, é ainda mais relevante a reinserção social”, disse Haroldo Caetano, acrescentando ainda o dado de que o Tocantins conta, atualmente, com cerca de 20 homens presos com problemas mentais.  

O palestrante ainda criticou os projetos do Estado de implantar um hospital de custódia e alas psiquiátricas nas unidades prisionais, sugerindo medidas alternativas, menos agressivas ao paciente e com mais efetividade. “A solução não é isolar essa população, piorando ainda mais a gravidade da situação do paciente e também das unidades prisionais que já têm o encarceramento em massa”, complementou o promotor de justiça. Como exemplo de iniciativa de sucesso nesta área, ele apresentou aos participantes o Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), do qual é um dos idealizadores, e tem a tarefa de acompanhar os pacientes julgados e absolvidos pela Justiça Criminal, mas que, em razão de doença ou perturbação da saúde mental, são submetidos à internação psiquiátrica ou ao tratamento ambulatorial.

O professor e psicólogo César Gustavo Moraes Ramos destacou sobre os problemas gerados pelo encarceramento em massa que vão muito além da superlotação, como integridade física, segurança e saúde de forma geral. “Um surto de tuberculose, por exemplo, não vai atingir apenas quem cometeu crime, mas todos que estão naquela unidade prisional, como por exemplo, os agentes prisionais e familiares que visitam o local. É preciso se repensar e verificar que há muitas dificuldades quando a saúde se choca com a segurança”, alertou.


Avanços

O secretário estadual de Cidadania e Justiça (Seciju), Heber Luís Fidelis Fernandes, destacou que sistema está sendo reestruturado para atender demandas gerais e específicas. “O seminário foi muito benéfico para darmos continuidade ao planejamento com avanços para o nosso sistema prisional. As explanações feitas irão contribuir para os projetos que vão garantir atendimento adequado e mais dignidade para os indivíduos”, esclarece. Durante o evento, ele destacou ainda que as palestras foram importantes para que fosse possível rever alguns conceitos de projeto pré-estabelecidos e melhorá-los.

A presidente do Conselho Penitenciário, Sibele Letícia Biazotto, afirmou que o cuidado com a mente do apenado no sistema carcerário é uma das menores preocupações do sistema, porém, é de extrema importância promover a reflexão sobre novas propostas de proteção a essas pessoas que necessitam de cuidados especiais. “Se o reeducando já é uma pessoa invisível para a sociedade, imagina então a pessoa com problemas ligados à mente”, instigou, acrescentando ainda que a principal intenção é trazer essa visibilidade para o detento que tem problema mental e sofre medida de segurança.


Seminário

A mesa de honra foi composta pelas defensoras públicas Valdete Cordeiro, coordenadora em substituição do Nadep, e Aldaíra Parente, coordenadora em substituição da Esdep, o juiz de Direito Océlio Nobre da Silva, o secretário da Seciju, Heber Fidelis, e a presidente do Conselho Penitenciário, Sibele Letícia Biazotto. Participaram ainda do Seminário a defensora pública Napociani Póvoa, cordenadora do Nadep, o defensor público Guilherme Vilela, presidente da Associação de Defensores Públicos do Estado do Tocantins (Adpeto), o defensor público federal e membro do Conselho Penitenciário Welton Rodrigues, e a promotora de justiça Maria Natal de Caravlho e o advogado criminalista Cristian Sudbrack.

Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
DPE-TO
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Cinthia Abreu
Ações voltadas à saúde mental de presos no Tocantins em pauta na Defensoria Pública | DPE-TO