A visita domiciliar na atuação do psicólogo da Defensoria Pública


Publicado em 03/12/2018 11:59

Arquivo pessoal


Por Isabel Izzo*


Embora exista escassez de bibliografia acerca da utilização da visita domiciliar no âmbito da intervenção para os profissionais em geral, a prática vem sendo utilizada cada vez mais, sendo necessário pensá-la e construí-la eminentemente de senso ético e crítico.

Para o Ministério da Saúde, cada pessoa é um todo indivisível e integrante de uma comunidade, além disso, assinala que as ações de promoção, proteção e recuperação da saúde também formam um todo inseparável, não sendo passíveis de compartimentalização. Por isso, no Brasil, esta atividade é bastante utilizada pelos profissionais da atenção primária, dentro do Sistema único de Saúde (SUS).

A utilização de visita domiciliar, por quaisquer áreas de atuação, deve ter um questionamento constante a fim de não reafirmar as relações de poder ou simplesmente realizar coleta de dados; mas sim a de aproximar-se dos que necessitam atenção, apoio e encaminhamentos que possam amenizar suas queixas, dores e desamparos.

Na Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO), Regional Gurupi, a temática da visita domiciliar perpassa pela psicologia, serviço social e pedagogia, onde o trabalho de integração das três áreas se dá com vistas a colher dados que elucidem a visão da realidade do assistido e de suas necessidades, compartilhadas e discutidas com o defensor público. Porém, o objetivo das visitas é, antes de mais nada, aproximar-se do assistido, articular não só dentro da Defensoria Pública as atuações e demandas emergentes da área jurídica, como também buscar outras possibilidades de intervenção que se fizerem necessárias junto à rede de apoio.

Assim, a psicologia tem liberdade para construir novas possibilidades de atuação, onde o sofrimento psíquico de indivíduos, de famílias e de comunidades possam ser reconhecidos e trabalhados sob um olhar mais crítico, reflexivo e questionador.

A visita domiciliar incita a aproximação dos profissionais da Defensoria ao contexto familiar de seus assistidos, tornando-se mais humana e promotora de um importante instrumento de integração social, fomentando a valorização da subjetividade humana.

Quando a DPE aproxima-se de seus assistidos, pode provocá-los a criar novas formas para lidar com suas dificuldades, a reconhecerem seus limites, a aprenderem a buscar ajuda para suas dores físicas ou emocionais, a criarem movimentos de transformação, a serem agentes de sua própria história.

* Isabel Cristina Izzo
é analista em Gestão Especializada (Anagesp) - Psicologia da Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) em Gurupi